Igreja do Centro Administrativo da Bahia - Lelé

Existem alguns edifícios que te marcam, seja por sua arquitetura ou pela história que você viveu ali. Tenho um que me marca nesses dois lados, e hoje vou falar um pouquinho sobre ele! :)


Não sei se sabem mas morei muito tempo em Salvador, e lá frequentava a Igreja do CAB (Centro Administrativo da Bahia) mesmo sendo bem distante da minha casa. Aquela era (e ainda é, desculpa Igreja da Pampulha rs) minha igreja preferida. Acredito que vendo essas fotos vocês vão entender o porquê!








Por ser localizada em um Centro Administrativo, não existem prédios ou comércio no entorno da igreja, possibilitando a conservação da paisagem natural que a envolve. Só isso já é um charme: não escutamos os ruídos da cidade e a beleza natural é encantadora, sendo ela o condutor principal do projeto que preservou tanto a natureza quanto a topografia existente.

O responsável pelo projeto é o arquiteto João Filgueiras Lima, Lelé, um dos mais respeitados (e, na minha opinião, um dos melhores) arquitetos brasileiros. Lelé soube trabalhar muito bem com a iluminação e ventilação natural, e nessa igreja não foi diferente. A ventilação cruzada se faz em todas as direções e a iluminação natural difusa faz o ambiente ficar hiper confortável e aconchegante, sem precisar acender nem uma lâmpadazinha durante o dia.





A estrutura é formada por 12 "pétalas" de concreto armado (material característico do arquiteto, típico modernista) que fazem uma forma helicoidal ascendente, o que permite a iluminação natural entre elas. O vão que surge entre a primeira e a última "pétala" é revestido de vidro que, devido a sua posição estratégica, provoca uma iluminação intensa apenas no altar.



O painel de fundo do altar é constituído por peças robustas de madeira justapostas. Os mobiliários fixos (bancos e o altar) foram todos também pensados pelo arquiteto.



Muros de pedra que lembram construções coloniais circundam a igreja e dão um efeito incrível na construção anexada a ela, local onde fica o Batistério e a Capela do Santíssimo. Assim como a igreja, ambos possuem iluminação zenital, com incidência de luz natural sobre o altar e a pia batismal.




Posso ser hiiper suspeita para falar, mas mesmo sendo uma igreja oposta a qualquer referência da Bahia, vale muito a visita! É um super exemplo de uso do concreto armado de forma leve e uma aula de iluminação, ventilação e uso natural do terreno.

Fotos de Ricardo Amado e desenhos de João Filgueiras Lima


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