Os arquitetos estão surdos?



Julian Treasure estuda o som e presta consultoria sobre o assunto. Segundo ele, os arquitetos e designers costumam projetar apenas para os olhos, quando deveriam se preocupar também com os ouvidos. Em uma palestra para o TED ele explica a importância disso.


Se você é preguiçoso e não quis assistir ao vídeo (deveria assistir, ok?), uma explicação rápida: o som influencia muito no comportamento e no bem estar das pessoas. Quando estamos em um ambiente barulhento, não só nossa produtividade diminui, como também nossa saúde e nosso comportamento pioram.

Exemplo: um professor que precisa elevar a voz na sala de aula eleva, também, seus batimentos cardíacos, o que pode diminuir sua expectativa de vida. Além disso, o aluno que está lá no fundo da sala, por mais que preste atenção, chega a perder 50% do que é falado. Saúde e educação sendo prejudicados por uma coisa só.

Já até senti isso aqui na Espanha. Como não sou fluente em espanhol, sentar no fundo da sala é o mesmo que não ir pra aula. Não entendo nada que o professor fala, a menos que eu me sente bem na frente. O que muda nessa história não é a maneira dele de falar, mas sim o quanto disso chega até mim.

Agora, falando de arquitetura. Um edifício deve ser projetado e construído levando em conta quem vai usá-lo - as pessoas. Um hospital é projetado pensando em que necessidades? Nas de médicos e enfermeiros que precisam tratar de pacientes e nas de pacientes que precisam desse tratamento. Se a acústica do prédio for ruim, os ruídos podem afetar na concentração dos funcionários e no sono do paciente, que é essencial pra sua recuperação. Me diz, então, qual o sentido de um hospital com muito barulho? O arquiteto teria fracassado na sua função de atender às pessoas.

Não sei bem como concluir esse post, já que nem eu nem o Julian temos a solução para a acústica ruim dos edifícios. Mas fica a reflexão pro seu próximo trabalho: você projeta pra quem?


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